O Jornal
Nacional
apresenta,
nesta
semana, uma
série
especial de
reportagens
sobre a
exploração
econômica da
Amazônia.
Nesta terça,
os
repórteres
Tonico
Ferreira e
Fernando
Ferro
explicam
porque
preservar a
mata se
torna
lucrativo a
longo prazo.
O grupo de
mateiros
entra na
floresta em
busca de
árvores boas
para corte.
Eles só
querem as
grandes.“Maçaranduba.
Altura, 14
metros. Essa
maçaranduba
é mais que
centenária”.
A
maçaranduba
é rejeitada.
Pode crescer
mais. Quem
vai para o
chão é um
breu
vermelho de
25 metros.
Queda
perfeita:
“Não quebrou
nada, nem um
cipó”.
É triste ver
uma árvore
morrer. Mas
na fazenda
se pratica
uma forma
ecológica de
exploração
da madeira:
o manejo
florestal, a
retirada de
poucas
árvores em
um ciclo de
vários anos.
“Nós tiramos
um
determinado
número de
árvores e
deixamos
outras
árvores
grossas pra
ficar
espalhando
sementes
durante todo
o ciclo”,
explicou o
engenheiro
florestal
Evandro
Ribeiro
Ferreira.
Depois do
corte, a
parte da
floresta que
foi
explorada
será deixada
quieta e
intocada por
35 anos.
Estudos
indicam que
ao longo
deste
período a
floresta irá
se recuperar
e árvores de
médio porte
estarão
suficientemente
grandes para
serem
cortadas
numa segunda
etapa. Se o
madeireiro
cortar um
pouco a cada
ano, em um
sistema de
rodízio, ele
poderá
explorar a
madeira
indefinidamente
com a
floresta em
pé.
A mata é
viçosa. Nem
parece que
está sendo
explorada.
Existem mais
de 350
projetos de
manejo
licenciados
no Pará.
Poderiam ser
mais, diz o
fazendeiro
Manuel
Pereira
Dias, não
fosse a
burocracia.
“Quando você
vai pedir
uma licença,
você não é
atendido.
Nós temos
licenças que
estamos
esperando há
mais de um
ano”, disse.
Outro
problema é a
fraude.
Estima-se
que 4 em
cada 10
projetos
foram
aprovados
irregularmente.
Com isso, a
madeira
legal
brasileira
perde
mercado.
“Como o
índice de
fraude é
alto, muitos
importadores
da Europa,
dos Estados
Unidos,
passam a
desconfiar
dos
documentos
oficiais.
Ilegalidade
sempre vai
existir, mas
ela nunca
pode ser a
maioria, sob
pena de
sucumbirem e
asfixiarem
as empresas
corretas
pela
concorrência
inclusive
desleal que
elas
causam”,
declarou
Justiniano
de Queiroz
Netto, da
Associação
de
Indústrias
Exportadoras
de Madeira –
PA.
O
ex-ministro
do Meio
Ambiente,
Carlos Minc,
já falava
sobre os
planos do
governo para
o setor.
“Intensificar
tanto a
produção da
madeira
legal, como
o combate à
produção de
madeira
pirata em
planos de
manejo
fraudados e
forjados,
muitas vezes
com
cumplicidade
de
autoridades”.
Outro
projeto de
manejo em
Anapu, no
Pará, fica
em um
assentamento
do Incra. É
a prova de
que a
exploração
racional da
madeira pode
melhorar a
vida dos
agricultores
pobres da
Amazônia.
“Graças a
Deus, com
esse projeto
de manejo,
que a gente
conseguiu
aprovação em
troco de
muito
trabalho,
muito
sofrimento
aqui, a vida
da gente
melhorou
100%”,
contou o
assentado
Antônio
Hélio
Monjardim.
As roças
ocupam
apenas 20%
da área: 80%
são
reservados
para a
exploração
da madeira.
Com a venda
das toras,
as 180
famílias do
assentamento
puderam
comprar um
caminhão, um
tratorzinho
e
construíram
estradas.
“A partir da
hora que o
manejo
apareceu, aí
nós pudemos
explorar,
produzir o
abacaxi,
vender bem.
Você pega a
farinha,
leva no
próprio
caminhão, o
arroz, o
milho, a
galinha,
tudo o que
você tiver
pra vender
está fácil
de escoar”,
ressaltou o
assentado
Francisco
Lima Souza.
A
implantação
do projeto
cobrou um
preço alto
em termos de
vidas
humanas. A
disputa por
terras
públicas na
Amazônia é
um processo
violento. Em
Anapu,
aconteceram
vários
tiroteios e
mortes. A
inspiradora
do projeto,
a irmã
Dorothy
Stang, foi
assassinada
exatamente
no local em
12 de
fevereiro de
2005. Foi a
irmã Dorothy
quem ensinou
os
assentados a
preservar a
floresta.
“A irmã
Dorothy
falava
sempre isso:
não derruba
a madeira
toda, não.
Não derrube
não. Porque
quando você
vai numa
estrada, que
chega num pé
de árvore,
que tem uma
sombrinha,
você respira
fundo, é
bom. Ela
cansava de
dizer isso”,
lembrou o
assentado
Pedro Nonato
de Souza.




