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ENTREVISTAS ______________________________________________________________________________________________________________________________ Entrevista Wagner Kronbauer
1- Como você vê hoje as políticas públicas voltadas para o setor?
Que políticas!? Há muita promessa, mas falta implementação na prática. Os principais instrumentos para estimular uma economia florestal sustentável na Amazônia já existem, mas os Governos, tanto federal quanto os estaduais, têm que sair do palanque, das promessas do jogar com a torcida e implementar as políticas de fato!
2 - Quais os maiores gargalos e desafios hoje enfrentados pelo setor?
Diria que 1: A enorme confusão fundiária da Amazônia, hoje os órgãos fundiários basicamente não conseguem se quer confirmar se uma determinada área é ou não apta para se praticar manejo florestal, seja ela privada, de assentamento ou comunitária. 2: O excesso de burocracia e as mudanças constantes nos critérios ou interpretação destes para aprovação de PMF (plano de manejo florestal). Quem um dia já passou a terrível experiência de buscar a aprovação de um PMF em qualquer órgão ambiental sabe exatamente o que falo. 3: Falta de transparência dos órgãos ambientais. Outros fatores deverão serem vencidos no futuro, como acesso a crédito, transferência de know how para pequenos e médios, mais agregação de valor e etc., mas não dá para atacar esses problemas sem primeiro resolver os acima citados.
3 - Falando de marketing, quais os fatores que prejudicam a imagem do setor madeireiro?
O setor foi durante anos acusado de ser o principal e praticamente único causador das mazelas e do desmatamento da Amazônia. Como esse é um setor muito pulverizado, formando somente por pequenas e médias empresas espalhadas pelos diversos cantos da Amazônia, muitos com dificuldade de transporte e comunicação, não conseguimos a união e os recursos necessários, e nem a convergência plena de idéias para fazer um grande trabalho de esclarecimento das vantagens e desafio da atividade. Felizmente, alguns ambientalistas começaram recentemente a dizer, o que na verdade é óbvio, que madeira é renovável na natureza e na maioria dos casos também reciclável como produto, portanto devemos usar mais madeira, já que seus substitutos em geral não se renovam na natureza. Obviamente tudo deve ser legal e oriundo de reflorestamento ou manejo florestal sustentando no caso das nativas. Escutei isso em São Paulo de um representante da WWF em recente seminário sobre construção civil e os impactos no clima. Tomara que as Ongs se empenhem para valer na pressão, coisa que eles são muito bons quando querem, para que os governos façam o que lhes cabe e seja possível de fato produzir madeira na Amazônia de forma legal e sustentável. Minha preocupação é que eles aceitam muito facilmente as desculpas dos Governos peã demora de resultados práticos!
4 - Qual a importância que o projeto Versões e Visões têm para a Uniflor e consequentemente, para o setor florestal madeireiro paraense?
É um projeto muito importante para o setor e para sociedade, pois trabalha a discussão aberta com as escolas e universidades. Bom seria se pudesse ser feito em todo o Brasil, pois esse setor tem problemas sim a resolver do ponto de vista de melhorar suas práticas empresariais, mas tem muito coisa boa para mostrar e nenhum problema, exceto vencer a burocracia, para se desenvolver de forma sustentável na Amazônia. É na verdade meio óbvio, temos a floresta, a tecnologia e uma multidão de pessoas que precisa sobreviver de forma legal e sustentável!
5 - O senhor sempre foi defensor das Concessões Florestais no Pará, contudo, porquê que a Uniflor se colocou contra ao edital recentemente publicado pelo SFB, da Flona Saracá-Taquera?
A minha posição enquanto ainda era presidente da entidade foi de alertar as empresas para falta de clareza em alguns pontos do edital, e também do exagerado aumento nos preços mínimos propostos pelo SFB. É triste ver esse instrumento fundamental para a sustentabilidade da região ser tratado dessa forma! Será que eles não percebem que manter os preços artificialmente altos vai inibir a participação de várias boas empresas no processo, e acima tudo favorecer que o ilegal continue viável, uma vez que estar legal vai sair ainda mais caro, burocrático e com regras instáveis? Esse assunto me deixa realmente irritado!
6 - O país detem 35% da madeira tropical do planeta, porém, exportamos apenas 14% da produção, e representamos apenas 5% do mercado mundial de madeira certificada pelo FSC. Por que é tão difícil a certificação pelo FSC?
A certificação não é difícil, o difícil é vencer a burocracia! A decisão de certificar uma floresta é uma decisão que envolve custos razoáveis, mas com horizonte de médio e longo prazo é totalmente viável, e na verdade o mercado já exige. O problema é, quem consegue no atual ambiente planejar se quer o curto prazo? Quais áreas os governos autorizarão para a prática de manejo florestal em longo prazo?
7 - O manejo florestal é a saída para a Amazônia?
É sem dúvida uma das grandes alternativas para geração de emprego e renda de forma sustentável em praticamente toda a região.
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